27 abril 2010

Polaroid

Pensar em você é como sair à noite, como colorir os olhos, cheirinho de café fresco, asfalto molhado. É como tomar chuva, abrir um presente, procurar os ovos de páscoa, assoprar velinhas. É bom como mel, quente como roupa recém passada. Mas também é incerto como o destino, o azar no jogo, o medo de perder. Pensar em você é quase como sonhar, tomar sorvete, comprar sapatos novos. É importante como prova de final de semestre, infindável como o mar, ainda melhor que estar frente ao mar. Tranquilo como pisar descalço na areia, ver o cachorro sorrir, uma criança crescer, uma semente florir. Pensar em você é etanol, é morfina, é panacéia, ou fugir da aula de química. Aquilo que me faz correr, cair do abismo, sentir seu abraço e querer morrer assim. Pensar em você me faz lembrar o que não alcanço, o que é ilusão, e que não adianta guardar seu cheiro na memória, pois quando você não estiver mais aqui, jamais serei a mesma novamente. Mas continuarei, com certeza, pensando em você assim, delicadamente, como o leve e quase inaudível bater de asas de uma borboleta.


*** para ouvir: Borboleta - Marisa Monte ***

Um comentário:

Cris Linardi disse...

Ah, Joana, que delícia este poema com Marisa, nem sei mais o que dizer.........
Beso!