06 fevereiro 2010

Carta sem destinatário

Vivo a sonhar com o eco de seus passos pelo assoalho e com o reflexo de suas cores nas tardes de sol. Eu pedi sua foto, mas não pensei que poderia perder todo o resto. Não quero mais seu retrato antigo, nem aquele em que estamos sorrindo, não quero. Tudo acabado. Você não quis, não me deixou mimar você, tinha tanta pressa! Não adiantou gritar seu nome pelas ruas vazias e nem correr para encontrar sua casa inabitada. E eu, que queria quebrar os muros, desarrumar você, incendiar seus rascunhos secretos... enlouqueci com a indecisão e implorei: - Me beije!!! Me arranhe!!! Me aqueça!!! Mas não feche a porta... Agora, quando você vier, só peço que me traga uma estrela, qualquer uma, por que já não quero mais aquela foto em sepsia onde sorrimos juntos, sorriso amarelo e sem emoção. Deixarei você ficar no meu sonho, nos porta retratos antigos e empoeirados espalhados pela casa.

Um comentário:

Assis Freitas disse...

mas com endereço certo, muito bom. abraço