18 setembro 2010

Contextura

E serão cartas incompletas, lágrimas de lembrar, com uma Janis repetida pela noite de verão,  me afundando em brasa e em restos de um retrato que foi tirado num suspiro. Seguir o caminho em frente, absorver os tons do tom, turvar as mentes, contar as horas enquanto saio amiúde para a noite insone e sem palavras. De versos que não escrevi sobre as estrelas que me deu, e o silêncio é apenas o ferimento que alimenta a poesia sussurrada pelo vento. Fique em silêncio... pode ouvir esse vento? Dessas cartas mal escritas ficam olhos d’água que devem ser de outro alguém, com verdades que jamais saem das vistas, e, se são de palavras, viram tatuagem, marca perpétua. Esse saber da dor faz doer, faz calar. Para que eu não fique só, cantores mudos e balas de festim. Será o entendimento do começo do fim, para dizer do tempo. Só me incomoda a partida, pois gosto de chegadas, idas, cada passo à moda antiga, para que eu não tropece na lembrança de que o meu mal é a própria cura. E que fazer o curativo na ferida já ajuda.


*** para ouvir: Piece of my heart - Janis Joplin ***

Um comentário:

Assis Freitas disse...

cartas com sabor de cantores mudos e balas de festim, gostei


beijo