Isso é tudo o que sou agora
medo do escuro
espelho quebrado
infinito distante...
Se isso é tudo nessa hora
o que esperar do futuro?
Do lado de lá?
Do fim do inverno?
Tons sobre tons de tortura,
doçura,
infelicidade e desventura.
Nesse instante sou todo medo
do adeus que não foi dito
e do para sempre nunca planejado.
Há algumas horas tudo era puro
e sem limites,
mas agora minha pele cheira
a fumaça e hortelã.
Há algumas horas esse fio de voz
embalou seu sono com uma canção
e você sonhou...
O mérito da espera é saber que a vida
o tempo e a distância
servem para unir e para separar,
tão rápido,
que em algumas horas
tudo será apenas uma lembrança.
Só de pensar
em falar... arrepio.
O diálogo imaginário
é um pedido
ou uma prece.
O nome
já é uma tela fixa
na memória
e o sorriso virtual
é só o que resta
daquelas horas,
daquele fio de esperança,
daquela música...
do arrepio...
Basta um sorriso
dizendo: vem comigo?
para acender a chama
e imaginar
flutuar entre o céu
e a terra
de mãos dadas com
um anjo
de olhos azuis
e costas largas - sem asas -
porque anjos de verdade
não precisam saber
voar
para levar
ao paraíso.
Ainda que imaginário.
E ela não sabe como continua...
só inveja e vazio
guiando o caminho
cheio de convenções
e regras idiotas.
Não, ela ainda não sabe
por que continua olhando
as fotos
relendo os mesmo versos
e sorrindo para o espelho.